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sábado, 21 de julho de 2018

Delegado afirma "Nutellas" criados com Danoninho em apartamentos não tem vocação policiais e que muitos temem confrontos

Da Redação - Wesley Santiago
21 Jul 2018 - 15:42
Foto: Olhar Direto
Delegado afirma que falta vocação para novos policiais e que muitos temem confrontos


O diretor da Academia da Polícia Civil de Mato Grosso, delegado Carlos Fernando da Cunha Costa, afirmou – em entrevista exclusiva ao Olhar Direto – que falta vocação para os novos policiais que ingressam no órgão. Além disto, acrescentou que muitos destes novatos temem um confronto, mas ressaltou: “Nós trabalhamos para despertar a vocação, é como celibato, uma missão”.




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“Antes, as pessoas que entravam na polícia eram mais rústicas. Geralmente, o cara que ia ser policial era simples, um caminhoneiro, pedreiro. De certa forma, estas pessoas tinham uma vocação maior para usar uma arma, andar em mata fechada, caminhar 40 quilômetros, fazer bolha no pé e não reclamar”, explicou o delegado, responsável por formar novos policiais e pelos cursos da Polícia Civil.




Cunha ainda acrescenta que, agora, quem entra na polícia tem uma escolaridade mais avançada: “Para muita gente é o primeiro emprego. Estas pessoas são as que nós temos maior dificuldade de formar nelas o espirito guerreiro do policial. Muitas mulheres quando chegam no estande para dar um tiro, demonstram temor”.




“Nosso treinamento visa reformular o individuo para que ele tenha mais garra, agressividade, que você desperte nele uma vocação policial. Muitos entram achando que vão ser meros servidores públicos. Você tem que estar muitas vezes disposto a colocar sua vida em risco para servir o público. Quantas vezes tive que sair de madrugada para achar um cativeiro onde uma criança estava sendo mantida refém no meio da mata. Ninguém hesitava, todos estavam dispostos a ir. Hoje, você chega em um grupo de policias e eles dizem que não vão, vão ficar na viatura ou pedem para esperar o dia amanhecer. É preciso formar todos para estar na linha de frente. Ser policial é um celibato, igual ser padre, tem que ter vocação”, afiançou o delegado.




Cunha, que entrou na polícia em 1989, afirma que “se eu tivesse que ir hoje para uma situação de risco, arriscar minha vida, não pensaria duas vezes, iria vibrando. Buscamos um treinamento para resgatar o leão no coração de cada um destes jovens. O público que recebemos hoje é mais intelectualizado. Muitos acabam se encontrando, desenvolvem. Temos lutado para isto”.




O delegado possui graduação em Direito pela Universidade São Francisco (1996), especialização em Direito Penal e Processual Penal pela Escola Superior do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, em convênio com a Universidade de Cuiabá (2007) e especialização em Prática Pedagógica no Ensino Superior pelo Centro Universitário Cândido Rondon (2011).




Além disto, também tem especialização em Gestão de Segurança Pública pelo Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso (2015) e mestrado em Direito Agroambiental pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (2012).




Atualmente, é delegado de classe especial na Polícia Civil, onde exerce a função de Diretor da Academia de Polícia, tendo lecionado Direito Penal no Centro Universitário Cândido Rondon, e na Faculdade para o Desenvolvimento do Estado do Pantanal Mato-grossense, em Cuiabá - MT. Tem experiência nas áreas de Direito e Processo Penal, Direito Ambiental e Administrativo Disciplinar.

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