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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Policial militar ensina capoeira para crianças e adolescentes em Abaeté, tem base?

"Projeto União e Ginga" também é desenvolvido em outras quatro cidades da região. Desenvolvido em 1998, 500 crianças e adolescentes participam das aulas

Por Abaeté, MG
Projeto União e Ginga José Elias Ribeiro Filho Abaeté Capoeira - 01 (Foto: José Elias/Arquivo Pessoal)José Elias iniciou o projeto em 1998, em Abaeté (Foto: José Elias/Arquivo Pessoal)
José Elias Ribeiro Filho, de 45 anos, estava sentado na porta de casa tocando berimbau quando um colega, que voltava do trabalho, viu a cena e decidiu sentar ali perto para conversar com o amigo. Durante a prosa, José Elias viu renascer uma ideia antiga: implantar um projeto de capoeira em Abaeté. Após a conversa, ele decidiu buscar parcerias, divulgar a iniciativa a crianças e adolescentes e criou o "Projeto União e Ginga". 

Inaugurado em 1998, atualmente o espaço atende cerca de 500 alunos com idades entre 5 e 17 anos, que participam das aulas de capoeira com José Elias.

Sargento da Polícia Militar (PM), José Elias é natural de Dores do Indaiá e pratica capoeira desde os 11 anos. O policial foi coordenador do Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência) em cidades da região por dez anos e formou cerca de quatro mil crianças e adolescentes. O trabalho realizado o ajudou no projeto de capoeira, que tem o mesmo propósito: afastar os jovens do mundo das drogas.

– Adotei a mesma ideologia do Proerd no "União e Ginga" e também me formei em Assistência Social, onde fui adquirindo mais experiência e passando tudo para os meus alunos. O início foi complicado e tive que tirar do bolso para manter. Era um amparo que queria dar àquelas crianças – explicou.
Projeto União e Ginga José Elias Ribeiro Filho Abaeté Capoeira - 02 (Foto: José Elias/Arquivo Pessoal)Atualmente, cerca de 500 crianças e adolescentes participam do projeto (Foto: José Elias/Arquivo Pessoal)
O projeto, que começou pequeno, hoje é realizado em cinco cidades da região Centro-Oeste de MG: Abaeté, Dores do Indaiá, Paineiras, Morada Nova e Cedro do Abaeté. Todas as aulas são gratuitas e os alunos não têm despesas com uniformes ou material, que são fornecidos em uma parceria com prefeituras e empresas. Quinhentas crianças com idades entre 5 e 17 anos fazem parte do projeto. Ele espera aumentar ainda mais este número.

– Agora nossa região também está começando a receber mais visibilidade e campeonatos. Até então, não participávamos e são eventos novos para nós. O meu sonho é fazer um campeonato que reúna todas estas cidades. Até o momento não tive esta oportunidade. Mas pretendo fazer essa união entre os municípios participantes do projeto – afirmou. 
Tanta dedicação fez de José Elias mais que um mestre de capoeira. Ele é tido como um grande "pai" dos meninos e meninas - muitos dos quais ele, por meio do projeto social, ajudou a sair de situações de risco social. Marcus Vinícius Pereira da Costa começou a aprender capoeira com o policial quando tinha 13 anos de idade. Hoje, aos 30, o designer gráfico e técnico em informática não esconde a admiração pelo professor. 
Ele nos incentivava a fazer todas as atividades escolares antes de ir para a aula de capoeira, que era das 19h às 21h. Sempre ia à escola perguntar sobre o desempenho dos alunos dele.
Marcus Vinícius Costa,
ex-aluno de capoeira
– Considero esse grande mestre como um pai para mim. Digo isso porque fui usuário de drogas e foi ele quem me incentivou a largar o vício. Hoje estou bem, não uso drogas, não bebo e tenho dois empregos. Sou muito grato a ele. Hoje, infelizmente, o consumo de drogas entre adolescentes e jovens parece crescer. Abaeté precisa de José Elias e de outras pessoas como ele, que sejam capazes de proporcionar à população de baixa renda um tipo de lazer saudável. As crianças e os adolescentes que treinam capoeira com ele certamente terão um bom futuro – afirmou. 
História parecida com a do advogado Erick William Couto, de 23 anos. Ele começou a ter aulas de capoeira com José Elias quando tinha nove anos de idade. Aprendeu os exercícios até os 18 anos, quando precisou deixar os treinos para cursar faculdade. 
– O José Elias sempre tenta ajudar seus alunos de alguma forma. Eu me lembro que ele usava o carro dele para buscar em casa os alunos que moravam longe. Nos incentivava a fazer todas as atividades escolares antes de ir para a aula de capoeira, que era das 19h às 21h. Sempre ia à escola perguntar sobre o desempenho dos alunos. Os pais, naquela época, já confiavam muito nele. Sei que hoje ele e a esposa promovem eventos para demonstrar como o esporte pode ser usado como recurso contra as adversidades do mundo. Também é muito elogiado como militar. É uma pessoa muito humana e muito querida – comentou. 
MELHOR QUE A ENCOMENDA
Ao olhar para o passado, José Elias conta que fica muitas vezes emocionado e feliz ao ver o trabalho realizado com os participantes. O militar ressalta que a sensação é de ter feito mais do que esperava.

– É muito gratificante a sensação ao ver muitos deles formados. Ainda vejo muitos ex-alunos que sempre me cumprimentam e já são médicos, advogados e seguem carreira profissional. A minha sensação é de felicidade e não tem como descrever essa mudança que causei na vida deles. É bom saber que eles são adultos, estão estruturados e com a vida firmada. É uma felicidade realmente grande - concluiu.

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