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segunda-feira, 15 de abril de 2013

Desafio de Investigados:As batalhas contra o crime e a modernização da categoria




Por Carlos Alberto Jr.




Um trabalho que requer perspicácia e dedicação. O investigador da Policia Civil de Montes Claros Enmerson Mota Rocha há anos tem um motivo a mais para se render aos clamores da classe: o sindicalismo. Antes de saber um pouco mais sobre os desafios que mudaram o rumo da categoria, vamos aprofundar na história do menino que nasceu na Bahia por acaso.
  
Foi durante uma viagem dos pais que Enmerson veio ao mundo, em Carinhanha, mas logo nos primeiros dias de vida conheceu o lugar onde viveu até os 23 anos, Manga Norte de Minas. Com uma infância complicada, o investigador sentiu logo cedo à desigualdade que anos mais tarde ele tentaria combater. “Na minha infância o nível sócio-econômico da cidade era complexo. Eu vim de uma classe na qual tinha dificuldade para estudar e até para brincar”, relembra.

Mas como todo menino, o pequeno Enmerson sempre arrumava um jeitinho para se divertir e era nos campinhos de futebol que a alegria de criança era plena. O ensino fundamental dele foi todo realizado, em Manga, já o ensino médio, em Januária, na então escola agrícola na qual funcionava em regime de internato. Quando se formou e já de volta a Manga, Enmerson passou por diversos empregos como, por exemplo, em uma empresa de transporte. “A principal lição que tiro de minha infância e adolescência é a realidade social do País que consegui ver desde muito cedo. A discrepância que existe entre privilegiados e não privilegiados. Eu vi e vivi esta realidade.”

Mas aos 23 anos eis que algo muda completamente a vida dele, o ingresso na Polícia Civil. “Os três primeiros anos não foram nada fácil. Comecei a trabalhar em cidades pequenas como Janaúba, Montalvânia, Jaíba. A interferência política era muito grande, o que atrapalhava, de fato, a nossa atuação”.

Enmerson conta que logo quando voltou a Manga como Policial, realizou uma apreensão de mais de 30 quilos de maconha, na época o trabalho foi capaz de descobrir que a cidade era quem abastecia Montes Claros e Januária com a droga. “Essa foi minha primeira grande ação e eu não esqueço jamais”, revela.

Com o passar com anos a instituição foi se desenvolvendo, mas Enmerson conta que a Polícia Civil mais parecia um feudo. “No começo havia muito assédio moral, desvio de conduta e vários tipos de arbitrariedades. Pessoas em cargo de comando que achavam que mandavam e subordinados que não sabiam desempenhar de fato o papel delegado a ele. Essa era a parte negra da polícia”, ele lamenta.

Mas foi em meio a essa situação que surge no civil um desejo de mudança: o sindicalismo. Foi em 2001 que ele se ingressou no movimento que na época era ainda incipiente. No inicio ele não tinha muita noção do que se tratava, mas já sabia que poderia contribuir para uma mudança positiva. Essa realidade só ocorreu quando Enmerson resolveu entrar na faculdade. O curso de sociologia lhe abriu caminhos a modo de perceber a grandiosidade do sindicato.  

“Com o conhecimento cientifico entendi o desafio que era o movimento e pude alcançar a realidade da instituição”.

Com essa visão ampliada à atuação do civil foi ainda maior, pelo conhecimento de causa mais avançado como ele mesmo deduz. “Inicialmente queria fazer algo para tentar mudar a Polícia Civil, mas depois que passei pela universidade cheguei à conclusão de que eram os próprios membros quem deveriam se transformar, foi aí que comecei o trabalho corpo a corpo”.

Foi nesse momento que os resultados positivos começaram a surgir. Em um movimento realizado pela classe em 2003 a falta de organização fez com que a categoria “perdesse” para o Governo. “Não tínhamos cultura de reivindicação”. Mas isso foi necessário porque a partir de manifestações nos anos de 2007, 2009 e 2010 o grupo de fato conquistou feitos históricos para a corporação, inclusive aumento salarial acima do esperado, além de levar até a Assembléia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a lei orgânica da Polícia Civil com o desejo de reformulação.

Atualmente, a instituição respira um novo momento. Segundo Enmerson, é possível perceber que a conscientização mudou. “Caso a lei orgânica também seja alterada a polícia deverá se modernizar de vez”. Mas o desejo do servidor tão apaixonado pelo trabalho que faz vai além. “É necessário que a sociedade passe a enxergar a Polícia Civil com outros olhos. É preciso entender que estamos do lado do povo. Quando a população é vitima de um crime e ocorre uma investigação é necessário que o trabalho seja realizado com qualidade, desprendida de interesse. Por outro lado, até os foras da lei se beneficiam com uma atuação correta da instituição que garante a todos os direitos humanos”.

Por todas as realizações Enmerson ressalta que esta é uma profissão gratificante. O trabalho que ele desempenha há mais de 12 anos lhe rendeu credibilidade, além da confiança de grande parte da população. “Sinto-me realizado com tudo que tenho conquistado”, ele diz. A meta para o futuro é levar o nome da Polícia Civil ainda mais perto da sociedade “para que o conhecimento de causa possa tirar essa má impressão que muitos têm sobre nós” ele conta. E finaliza: “não existe sociedade sem polícia”. 

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