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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Nova Serrana cresce e chama a atenção de estrangeiros

Nova Serrana, terceiro maior polo calçadista do país, atrás apenas de Franca (SP) e do Rio Grande do Sul é a cidade que mais cresceu em Minas Gerais nos últimos dez anos. De acordo com o IBGE, no ano 2000, Nova Serrana contava com 37.447 habitantes. A população do município chegou aos 73.273 habitantes em 2010, um crescimento vertiginoso de 95,7% em apenas uma década. Em estimativa de 31 de julho 2012, este número havia subido para 79.174 habitantes. Isto se deve à chegada quase diária de vários migrantes, vindos de todas as regiões do país, atraídos pelas grandes oportunidades de emprego que a cidade oferece.
 
Em 2004, a cidade contava com 854 empresas, que geravam aproximadamente 21 mil empregos diretos e produziam 77 milhões de pares por ano. Devido a este fato o polo é uma espécie de “colcha de retalhos” cultural, onde sotaques e costumes de várias partes do Brasil se misturam. A terra das oportunidades, como é chamada por muitos, atrai também pessoas de outros países, que aqui fixam moradia e trazem consigo outros valores, crenças e comportamentos, tornando ainda mais rica a diversidade cultural de Nova Serrana.
 
É o caso de Sascha Lewandowski, alemão natural de Nettetal, que reside há onze meses no Brasil e trabalha como tatuador. Segundo ele, o motivo que o trouxe ao Brasil foi o relacionamento que começou através do facebook, com a Brasileira Érika Fernanda Gontijo Ramos Silva, com quem hoje vive e tem uma filha de três meses.
 
Ele relata que após algum tempo correspondendo-se apenas pela internet e já apaixonados, os dois resolveram se conhecer pessoalmente. Quando desembarcou no Brasil, depois de 14 horas de vôo, passou três meses em companhia de Érika na cidade de Itaúna e depois a levou para a Alemanha por mais quatro meses, até que finalmente retornaram ao Brasil, fixando residência em Nova Serrana, onde vive a família de Érika.
 
Sascha diz que os Brasileiros diferem muito dos alemães, que segundo ele, são muito sérios e gostam apenas de trabalhar e ficar calados em casa, enquanto no Brasil as pessoas são mais animadas e gostam de festas. Ele estranha o fato de o governo brasileiro não oferecer um suporte maior a quem está desempregado, já que na Alemanha este auxílio pode se estender pelo resto da vida se for necessário, incluindo até mesmo gastos com a saúde do cidadão que não possui um emprego.
 
Sascha afirma ainda que essa medida não acarreta nenhum transtorno para o governo de seu país, pois segundo ele, todo alemão sente vergonha quando não está trabalhando, isso é um traço cultural muito forte. Ele diz que adora o Brasil e não sente vontade de voltar para sua terra natal, mas admite não gostar da forma como a política é conduzida aqui, pois o povo passa fome e o setor da saúde é precário. O alemão finaliza dizendo que infelizmente a visão que se tem do Brasil no exterior ainda é de que vivemos no meio do mato, em barracões de madeira que não possuem internet, cercados por animais de todas as espécies.
 
Outro caso é o do chinês Zhen, proprietário de uma pastelaria na Praça da Matriz. Ele está há cinco anos no Brasil e há três reside em Nova Serrana. Zhen conta que aos vinte anos saiu da província de Guang Dong (também conhecida como Kuangtung ou província de Cantão) e mudou-se para Honduras, país da America Central, onde tinha parentes e lá passou a trabalhar como cozinheiro. Ele afirma que Honduras é um país muito violento (devido a conflitos políticos) e que acha o Brasil mais tranqüilo. O chinês, que tem parentes em Bom Despacho, veio à Nova Serrana pela primeira vez a convite de um amigo e viu aqui a oportunidade para bons negócios.
 

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