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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Com baixos salários, delegados abandonam carreira em SP


Enviado em 15/01/2013 as 21:20 - CLAUDIO
Flávio Freire – O Globo
SÃO PAULO.
Segundo associação da categoria, rendimento inicial no estado é de R$ 6,9 mil;  No Rio, R$ 14,3 mil
A cada dez dias, um delegado de polícia de São Paulo abandona a carreira ou pede transferência para outro estado em busca de salários mais altos e melhor infraestrutura para exercer a profissão. A constatação é da Associação de Delegados de Polícia do estado, a qual, sob mote de que os profissionais estão debandando, lançou ontem o movimento “Você se sente seguro em São Paulo?” Segundo a categoria, o estado tem hoje a 25ª pior remuneração para quem acaba de assumir o cargo, de R$ 6.981,19. Está, por exemplo, no lado oposto da situação no Rio de Janeiro, com o melhor salário, de R$ 14.634,01, segundo a entidade. A reportagem é do jornal O Globo.
— A matéria prima de um delegado é o trabalho de inteligência, então não dá pra deixar o profissional dentro de uma delegacia fazendo plantão, atendendo pessoas e sem qualquer chance de realizar um trabalho de inteligência — diz a presidente da associação, Marilda Pansonato Pinheiro, para quem o governo paulista está gastando dinheiro para formar profissionais que ajudarão a combater a violência em outros estados. _ O governo gasta R$ 100 mil desde a criação do edital até a formação de apenas um delegado. E esse profissional, quando percebe que não tem perspectivas de fazer um bom trabalho, abandona a profissão ou vai para outro lugar. Ou seja, o contribuinte paulista forma para o policial para ele ajudar a população de outro estado.
São Paulo tem hoje 6 mil delegados, sendo 3,4 mil na ativa. Em agosto do ano passado, após concurso público, mais 200 foram incorporados à categoria. Desses, 25 já não estão mais nos quadros da polícia paulista.
Ex-delegado em São Paulo, Walter André Miadaira Watanabe, 36 anos, deixou a capital paulista para trás em 2008, depois de três anos exercendo a profissão. Pediu exoneração para começar a carreira em São Bento do Sul, Santa Catarina. Diz que, muito mais que a questão salarial, o que o levou a mudar de estado foi a perspectiva em relação à carreira.
— O salário nem muda muito, mas aqui a promoção é feita por merecimento. Em São Paulo, para você passar de delegado de terceira para segunda classe você tem que ficar no cargo 15 anos — disse ele, para quem o governo paulista tem falhado no investimento de serviço de inteligência.
— Em São Paulo viramos mero chanceladores de boletim de ocorrência feito pela PM. Não conseguimos aprimorar numa investigação criminal, e issoi ajudar a aumentar a sensação de impunidade — disse ele.
Em nota oficial, a Secretaria de Segurança Pública informou que tem buscado a renovação com abertura de concursos, além de estudado medidas “para tornar a carreira de delegado mais atraente”. O órgão cita como medidas de aprimoramento a transformação da função de delegado em carreira jurídica (em 2011), aumento de 27,7% sobre o salário-base de todos os policiais e nomeação de 318 delegados apenas nos últimos quatro meses do ano passado.
“Se há desistências, elas podem se dar a inúmeros fatores, como o fato de delegados recém-aprovados terem passado em concursos para outras carreiras. A secretaria considera legítima a manifestação da associação, enquanto entidade de classe, mas considera que a campanha lançada não tem fundamento na realidade dos fatos”.

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